Mostrando postagens com marcador Dr. Frassales. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dr. Frassales. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Um cajazeirense na prefeitura do Recife

por Francisco Frassales Cartaxo
Nasceu em Cajazeiras, mas foi criado em Campina Grande e adotou o Recife como sua cidade. A raiz, porém, está lá na terra distante, onde abriu os olhos. Falo de João Braga (foto), filho de José Epaminondas Braga que migrou para a Rainha da Borborema quando sentiu ser pequeno o comércio sertanejo para abrigar seu objetivo empresarial de crescer sempre.
O filho tomou outro rumo. No Recife, João Braga enveredou pelos caminhos da política, inserindo-se fortemente na classe média, através de uma entidade (Causa Comum) que se afirmou como defensora de segmentos sociais ligados aos direitos dos usuários do Sistema Nacional da Habitação, na época, a porta de entrada para alimentar o sonho da casa própria. A atuação séria à frente da Causa Comum e a militância partidária credenciaram Braga a ocupar cargos eletivos (vereador do Recife, deputado estadual) e, também, de secretário da prefeitura do Recife, na segunda gestão de Jarbas Vasconcelos. Nesse posto, desenvolveu reconhecida atuação, consolidando-se como o administrador ousado ao enfrentar enormes desafios, tais como o problema dos camelôs nas ruas centrais da capital e a eterna carência de obras de infraestrutura. Nessa missão João Braga firmou-se como “tocador de obras”, tal o empenho com que cuidou da cidade. Buscou então um voo mais alto: ser prefeito do Recife. Na verdade, sonho acalentado desde sempre. Quando se sentiu preparado, os tempos eram outros.
Jarbas havia mudado de campo político, afastando- se de Miguel Arraes para formar a “U- nião por Pernam- buco”, uma aliança com ferrenhos ad- versários do antigo PFL. Em nome disso, Jarbas lançou o ex- governador Roberto Magalhães (1996) para sucedê-lo na prefeitura do Recife. Dois anos após, Jarbas foi eleito governador, impon- do a Arraes terrível derrota. Em 2000, Roberto Magalhães deixa de vencer no primeiro turno por menos de meio ponto percentual. Para isso, concorreu João Braga, como candidato sob a legenda do PSDB. O beneficiário indireto de seus votos foi o então deputado estadual do PT, João Paulo, que findou por conquistar, já no segundo turno, surpreendente vitória eleitoral. Assim, evaporou-se o sonho do cajazeirense João Braga de ser prefeito do Recife, cidade que ele diz conhecer “como a palma da mão.”   
 Braga continuou a desenvolver atividades político-partidárias, exerceu o mandato de deputado estadual, até 2006, quando não conseguiu reeleger-se. Hoje, aos 64 anos, filiado ao Partido Verde, dedica-se à iniciativa privada e não pensa em concorrer a cargo eletivo. Com ênfase ele diz que “Desde que perdi a eleição, em 2006, sai do circuito. Estou curtindo outra fase da vida.” Estava. A partir desta semana, ocupa a Secretaria de Mobilidade Urbana, a convite do novo prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), para cuidar do trânsito numa cidade à beira do caos. Braga afirma saber “decorado” o que vai fazer. “Posso antecipar que atacarei o transporte público e restringirei o individual. Vou construir ciclovias onde for possível, tirar todos os camelôs das ruas.”
Boa sorte, amigo. Disposição para trabalhar, você tem. E a torcida de milhões de cidadãos que sofrem as agruras do infernal trânsito do Recife. Boa sorte, Braga, você vai precisar, também, de muita reza.     

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A ressaca da doutora Denise

por Francisco Frassales Cartaxo


A vitória torna a ressaca azul, embora verde tenha sido a bandeira de campanha. Feridas expostas no calor da refrega saram rápido, as contas a pagar, reais e emocionais, são liquidáveis com dinheiro, posições no governo e gestos de amizade. Portanto, não incomodam muito quando se vence. Os 17.884 votos do número 25, confirmados na urna eletrônica, e transferidos por força de renúncia formal de última hora para o número 40, são a base da dívida maior contraída pela prefeita Denise Albuquerque. Está em casa. O número 40 pertence ao PSB, o partido que mais cresceu no Brasil nesta eleição. Assim, parece que tudo são flores para o vencedor, aliás, a vencedora. Até a ressaca da festa da vitória não gera dor de cabeça...
A ressaca braba, contudo, virá mais adiante, quando os graves problemas do município forem colocados diante da doutora Denise a exigir-lhe decisões políticas e administrativas, algumas urgentes, talvez sem tempo sequer de consultas demoradas ao maior responsável pela sua eleição.
Nem é preciso lembrar que a responsabilidade legal cabe a quem senta na cadeira de prefeito. E será ela e não ele quem responderá pelo rumo, acertado ou desastrado, que vier a imprimir a sua gestão. A propósito, pelo histórico recente de desmandos éticos da administração pública municipal em Cajazeiras, por mais fidelidade que Denise tenha ao sentimento da gratidão, o melhor a fazer é seguir com espírito crítico os conselhos de quem anda atormentado por uma permanente dor de cabeça. Não a passageira dor de cabeça derivada da ressaca eleitoral, mas aquela dor de cabeça persistente, causada pelo manuseio nada republicano de recursos públicos, em ações que levaram a Justiça a enquadrar seu autor em crimes dolosos de improbidade administrativa, praticados no exercício do mandato de prefeito. A doutora Denise sabe, e sabe muito bem, a significação dos reflexos traumáticos desse tipo de dor de cabeça. Por isso, ela deve extrair dessa cruel realidade política e pessoal lições exemplares extremamente úteis a sua gestão na prefeitura.
Há outro ponto relevante. O Brasil começa a mudar, a viver um novo tempo político, com perspectiva de alterações reais na maneira de gerir a coisa pública. Primeiro, a Lei da Ficha Limpa é para valer. Levada a sério pelo Poder Judiciário, não teve o destino das “leis que não pegam”, como muita gente sonhava. A lei pegou. E caiu sobre Cajazeiras como um raio, tanto que nosso destino está confiado a uma mulher e não a um ex-prefeito, vítima de suas próprias travessuras. Segundo, não é por mera coincidência que se aplica com rigor a Lei da Ficha Limpa no exato momento em que o Supremo Tribunal Federal, em julgamento transmitido ao vivo pela televisão, condena por corrupção (ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro) empresários, servidores públicos e políticos da expressão nacional de José Dirceu, Roberto Jefferson, José Genuíno, todos envolvidos no esquema do mensalão. 
Não preciso alertar doutora Denise. Ela já conhece, sobejamente, por dolorosa experiência política e pessoal, vivida na condição de esposa, terríveis angústias tornadas públicas. Por isso, Denise não pode deixar de considerar essa nova realidade política, tê-la sempre presente ao comandar a prefeitura de Cajazeiras, até porque lhe serão cobradas com veemência pela sociedade decisões sintonizadas com esse novo tempo, embora que de suas determinações possam resultar sangramentos a seu redor.         




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Debates dos candidatos a prefeito



por Francisco Frassales Cartaxo



Chagas Amaro estima existir em Cajazeiras uma parcela entre 5% e 10% do eleitorado que vota com independência. Sem rabo preso. Seriam 2.000 a 4.000 votantes livres para escolher seu candidato, o que julga ser melhor para Cajazeiras, também, sob o aspecto ético, um gestor com um mínimo de decência no trato dos recursos públicos. Enfim, que não seja corrupto.
Ao escutar os debatedores me perguntei: o candidato está falando para que público? Notei que dois postulantes se dirigiam a sua própria galera, em busca de aplausos, por isso carregavam em conhecidas acusações ao concorrente, a fim de realçar-lhe os pontos fracos. Mesmo quando Carlos Gildemar puxava um tema sério, os outros dois voltavam aos ataques. Ou exaltavam seus próprios feitos, muitas vezes, sem o menor respeito à verdade. Pinóquio exultava!  Por quê? Porque é essa sua estratégia de campanha. Exemplos? Vamos a eles.
Juventude e drogas. Houve quem falasse na solução do problema como se faz com delinquentes, isolando-os do convívio social pura e simplesmente. E citou-se a Fazenda Esperança, na esperança de enganar os incautos... Falaram do que não entendem. Fazenda Esperança é espaço mantido a duras penas por instituição católica em vários estados, com base numa prática de recuperação de dependentes químicos, mediante uso de assistência religiosa, de processos pedagógicos consistentes e testados. Não se trata, portanto, de realização de governo que um prefeito possa prometer como faz com a construção de uma praça.
Mobilidade urbana.  Um candidato disse que iria contratar mais guardas municipais para orientar o trânsito... Santo Deus! O outro, falou em calçar ruas, aproveitando para repetir que deixara verba para seu sucessor pavimentar, aliás, confundindo ruas calçadas nos bairros como investimento estruturante... Só o candidato do PSOL demonstrou saber do que falava.
Proposta cultural. O leitor lembra quais foram as propostas apresentadas? Difícil lembrar. Retalhos da fala do candidato do PSOL, por ser professor, poeta, escritor, portanto, do ramo, iluminaram o tema. Mesmo assim, os palpites perderam-se na lenga-lenga da extinção ou criação de secretaria de Cultura, como se isso fosse o ponto central de nossa cultura. Bom, talvez seja para a visão caolha de quem só pensa em criar cargos comissionados para abrigar os amigos...
Problemas estruturantes. A expressão apareceu mais de uma vez, aliás, aplicada erradamente. Um chamou de estruturante a pavimentação de ruas na periferia da cidade e a construção de área de lazer... Que horror! Assim, os sérios problemas urbanos, agravados pelo crescimento desordenado de Cajazeiras passaram distante do debate. E sem o menor pudor se disse que a extraordinária expansão do polo de ensino superior é obra da prefeitura... Meu santo padre Rolim, me livre de tamanho menosprezo à atuação decisiva da sociedade civil organizada, ao trabalho do reitor da UFCG, do IFPB, da diocese de Cajazeiras, de grupos privados que investem tempo, dinheiro e inteligência nas atividades de ensino.
Corrupção. Este assunto esteve presente o tempo todo. Também pudera, o debate parecia briga do sujo contra o mal lavado... Nem para isso se prepararam bem. Não ouvi, por exemplo, Carlos Rafael listar os processos judiciais em curso contra o ex-prefeito Carlos Antônio. Nem ouvi Carlos Antônio fazer defesa convincente para atos de improbidade administrativa, arguidos pelo Ministério Público.
Conclusão. Dois candidatos falaram para suas próprias galeras, choveram no molhado. Gildemar acertou em cheio ao dirigir-se aos 10% de eleitores independentes. Enfim, só se dá o que se tem.


domingo, 9 de setembro de 2012

Um nome para OAB/Cajazeiras

Francisco Sales Cartaxo Rolim (*)


Cajazeiras gostou da decisão da Ordem dos Advogados do Brasil/PB de construir nova sede para sua seção local. Sem dúvida, uma demonstração de prestígio para nossa cidade, onde existe núcleo de profissionais da advocacia cada vez mais numeroso e atuante na Paraíba e onde funcionam dois cursos de direito. Cajazeiras não aplaude, contudo, o nome de Ronaldo Cunha Lima, anunciado para a sede. Não que se faça restrição ao poeta, advogado e político. Afaste-se qualquer indisposição contra Ronaldo, porém, causa surpresa tal escolha, aliás, fora de propósito, enviesada, inconveniente. Por quê? Dá a entender que não temos no sertão nomes à altura de imortalizar-se na seção local da OAB. Temos. E muitos.
Por isso, a reação da sociedade cajazeirense, ao ponto de gerar um movimento com o intuito de evitar a confirmação desse possível deslize da direção estadual da OAB. Até já circula uma lista com sugestão de seis advogados conterrâneos. Poderia ser dez ou quinze ou vinte a merecerem a honraria, em especial por dois requisitos básicos: são cajazeirenses de nascimento e tiveram forte atuação no fórum local. Isso sem demérito para muitos outros que, vindos de outras plagas aqui se fixaram, prestando significativos serviços à sociedade sertaneja, como profissionais do direito. Não é este o caso de Ronaldo Cunha Lima, ressalvadas esporádicas atuações.
O aconselhável, data venia, é selecionar uma figura que expresse, senão a unanimidade, pelo menos a convergência da maioria, afastando-se qualquer conotação político-partidária. Figura simbólica para a profissão e a história de Cajazeiras. Então, seria de bom alvitre incluir o componente histórico entre os critérios para a escolha. Neste caso, surge como mais apropriado o nome de Manoel de Souza Rolim, o primeiro bacharel em direito nascido quando Cajazeiras era simples fazenda.
Manoel de Souza Rolim obteve o diploma no longínquo ano de 1839, na velha Faculdade de Direito de Olinda, ano em que Cajazeiras era simples povoado do município de Sousa. Irmão do padre Inácio de Souza Rolim, ao formar-se em direito, Manoel de Souza Rolim, regressou ao sertão, fixando-se no então lugarejo de São José da Lagoa Tapada, onde abriu uma escola a pedido do líder político sousense, Comandante José Gomes de Sá Júnior, que, com seu prestígio e influência, fez do jovem bacharel, deputado provincial na legislatura de 1844-45, como registra Deusdedit Leitão, no livro “Bacharéis Paraibanos pela Faculdade de Olinda”. Informa ainda nosso historiador maior que Manoel de Souza Rolim foi pioneiro do abolicionismo no sertão, como demonstram as ações práticas de preparar cartas de alforria, havendo registro histórico datado de 1851, portanto, 37 anos antes da abolição formal da escravidão no Brasil!  
Após temporada no município de Sousa, Manoel de Souza Rolim veio para Cajazeiras quando foi criada a Comarca, tendo aqui atuação brilhante, destemida, às vezes, agressiva, sempre na defesa de seus constituintes. Além de exercer a advocacia, ele ensinou Latim no famoso colégio do irmão padre até que a grande seca de 1877/79 o obrigou a refugiar-se no Cariri cearense, onde continuou sua missão de professor e advogado.
Seu nome inscrito na nova sede local da OAB teria valor simbólico em vários sentidos: primeiro advogado nascido em Cajazeiras, professor de primeiras letras e de Latim, pioneiro na luta pela abolição dos escravos e irmão do padre mestre Inácio de Souza Rolim. Fica a sugestão.
(*) O autor é bacharel em direito e pós-graduado em desenvolvimento econômico.