sexta-feira, 7 de junho de 2013

BAHIA: Comerciantes lançam cartão de crédito de bairro, o Cajazeiras Card

Bom, meu conterrâneos, eu também corri para ver a novidade, mas... É Cajazeiras da Bahia, não a do Padre Rolim, se bem que o nosso comércio bem que podia imitar!

Um grupo de comerciantes do bairro de Cajazeiras, em Salvador, cansou de ouvir o povo dizer que faltava dinheiro para comprar. E decidiu resolver o problema financiando os clientes. Nasceu dessa forma o primeiro cartão de crédito comunitário: o "Cajazeiras Card".
Com o slogan "É de Cajazeiras, é nosso", o plástico milagroso já foi requisitado por mais de mil pessoas neste bairro que - pelo tamanho e espírito de grandeza de seus moradores - ganhou o apelido de "a segunda maior cidade da Bahia".
A ideia surgiu com a Associação de Micro e Pequenas Empresas de Cajazeiras (Amicro), que tem entre seus associados uma pizzaria, uma bomboniere e uma loja de materiais de construção. Esta última, aliás, já comemora o aumento no volume de vendas desde que o cartão surgiu, há três meses, conta o presidente da Amicro, Sérvio Túlio.
Quem costuma receber uma oferta de crédito diferente a cada semana, por correio, talvez estranhe a ideia, mas o "Cajazeiras Card" se popularizou por não exigir comprovação de renda. Qualquer morador consegue um limite para compras de R$ 250. Numa região empobrecida, valor suficiente para comprar o cimento e tocar uma reforma em casa.

Cajazeiras tem cerca de 600 mil habitantes. Uma população maior que a da cidade baiana de Feira de Santana (556 mil), da mineira Juiz de Fora (516 mil) e quase igual a da paulista Ribeirão Preto (604 mil). Como muitos não têm empregos formais, usar o sistema bancário é difícil. "Algumas donas de casa que pediram o Cajazeiras Card têm mais de 40 anos e nunca tiveram uma conta no banco", conta Túlio.
Com tudo isso, o empresário duvida que a população vá deixar de pagar as contas. A Associação pretende até dar aulas de educação financeira e evitar o superendividamento.
Um dos primeiros detentores do "Cajazeiras Card", o auxiliar administrativo Antonio Jorge Guerreiro, vê a dedicação do povo para manter o orçamento em dia. "Cada pessoa tem o seu controle". Ele conta que já tinha um outro cartão, mas fez questão de adquirir o do bairro. "Esse é um bairro muito carente e que necessita, as pessoas estão motivadas".
Economia de bairro
A forte identificação do cartão com o bairro se transformou no seu maior atrativo. "Nos inspiramos nesses cartões de fidelidade dos shoppings", conta Túlio. A lógica clara é a de que a população passa a optar por gastar nos pequenos empreendimentos em vez de fazer todas as compras num grande supermercado.
O projeto estimula os microempresários a se cadastrarem. Alguns lojistas que não tinham como pagar o aluguel das tradicionais maquininhas de cartão podem adotar o novo sistema e cobrar usando um computador conectado a internet.
Apesar da criatividade do formato escolhido pelos soteropolitanos de Cajazeiras, a ideia de estimular o comércio local como uma forma de desenvolver uma região não é nova. O governo brasileiro já criou moedas próprias em 53 comunidades diferentes com o intuito de centralizar os gastos de moradores no comércio local. A mais recente das chamadas moedas sociais é o CDD, que desde meados de setembro circula na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.
TERRA MAGAZINE

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