sábado, 27 de agosto de 2011
Entrevista com Chico Rolim - 148 anos de Cajazeiras
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Uma homenagem significativa ao Padre Rolim
Santinhos distribuídos aos presentes.
Verso do santinho.
Padre Raimundo Rolim, descendente direto do Padre Rolim, foi o celebrante
Na homília, o Padre Raimundo participou aos presentes do andamento do processo de canonização do Padre Rolim, este assunto será postagem deste blog na forma de uma entrevista com o Padre Raimundo, até já acertei com o jovem Bruno de Lima, seu afilhado.
Chico Rolim
Zélia Ribeiro
Na hora da saudação entre os irmãos
Dorinha Montenegro
Major Cunha Rolim abraçando o parente
No coquetel após a Missa
Esta cajazeira foi plantada pelo Padre Inácio de Sousa Rolim
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Cinco anos sem o Major Chiquinho, o seresteiro que Cajazeiras jamais esqueceu
Telefonema Alderi Mangueira e
Entrevista com Dra. Edilsa
Telefonema de Constantino Cartaxo
Telegrama João Claudino
Aldeci Mangueira declama poema ao amigo Major Chiquinho
Músicas preferidas do Major Chiquinho
Brasa - Orlando Silva
Sempre no meu coração - Orlando Silva
Sempre no meu coração - Orlando Silva
Maria - Sílvio Caldas
Eu sem Maria - Alcides Gerard
Adeus - Orlando Silva
Sobre o arco-íris - Francisco Petrônio
Carta Aberta aos Rotarianos de Cajazeiras do Major Chiquinho
Entrevista com Dra. Edilsa
Telefonema de Constantino Cartaxo
Telegrama João Claudino
Aldeci Mangueira declama poema ao amigo Major Chiquinho
Músicas preferidas do Major Chiquinho
Brasa - Orlando Silva
Sempre no meu coração - Orlando Silva
Sempre no meu coração - Orlando Silva
Maria - Sílvio Caldas
Eu sem Maria - Alcides Gerard
Adeus - Orlando Silva
Sobre o arco-íris - Francisco Petrônio
Carta Aberta aos Rotarianos de Cajazeiras do Major Chiquinho
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Cajazeiras completa hoje148 anos de emancipação política
O município de Cajazeiras completa nesta segunda (22), 148 anos de emancipação política. Sexta maior cidade da Paraíba, Cajazeiras tem hoje dois deputados estaduais na Assembléia Legislativa e um suplente de senador, e um senador da República, este ultimo com atuação no estado do Piauí.
Conhecida pela influência econômica e potencial no setor de comércio e serviços, o município, localizado no extremo oeste paraibano, faz intercâmbio social e econômico com os estados do Ceará e Rio Grande do Norte.
O comércio cajazeirense absorve o consumo de quase 200 mil habitantes da região, sendo importante pólo regional.
A cidade é reconhecida pela produção intelectual e contribuição à educação da Paraíba. Cajazeiras é conhecida com a”terra que ensinou a Paraíba a ler”, “ terra da cultura” e “terra do Padre Rolim”.
Um vasta programação está acontecendo desde o dia 16, se estendendo até esta terça-feira(23), com entrega de obras, serviços e muitas festividades.
LOCALIZAÇÃO
Cajazeiras está situada na extremidade ocidental do estado da Paraíba. Pertencente à Mesorregião do Sertão Paraibano e à Microrregião de Cajazeiras, localiza-se a oeste da capital do estado, distante desta cerca de 465 km. Ocupa uma área de 586,275 km², dos quais 2,8193 km² estão em perímetro urbano. Sua população recenseada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2010 foi de 58 437 habitantes, sendo o sétimo mais populoso do estado e o primeiro de sua microrregião.
OUTROS DADOS
A sede tem uma temperatura média anual entre 23°C e 30°C e na vegetação do município predomina a caatinga. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,685, considerando como médio em relação ao estado.
HISTÓRIA
Em 22 de agosto de 1800, ocorre o nascimento de um dos filhos de Ana de Albuquerque, Inácio de Sousa Rolim, que se ordenou em Olinda Pernambuco. Em 1843, Inácio volta ao seu sítio onde moravam seus pais e funda um colégio de salesianos, responsável por provocar a conseqüente povoação do local. Cajazeiras começa a crescer, tendo seus alicerces firmados em um estabelecimento de ensino, tornando-se um poderoso núcleo de civilização.
Em 1859, na época do Brasil Império, pela lei provincial nº 5, de 29 de agosto, ocorre a criação de um distrito denominado “Cajazeiras”, ainda subordinado ao município de Sousa. Quatro anos depois, em 22 de novembro de 1863, a lei provincial nº 92 desmembra Cajazeiras de Sousa e eleva o distrito à categoria de vila. Finalmente, em 10 de julho de 1876, Cajazeiras é elevada à categoria de cidade, tornando-se município da Paraíba.
Até 1911, a divisão político-administrativa de Cajazeiras permaneceu inalterada. Assim permaneceu até 1915, quando um artigo 10 da lei estadual n° 424, datada em 28 de outubro daquele ano e o ato municipal de 1938 criaram e anexaram ao município os distritos de Cachoeira dos Índios e Engenheiro Ávido. Com esses distritos, o município passou a ser formado pelos distritos de Cachoeira dos Índios, Cajazeiras e Engenheiro Ávido. Em 1957, o município passa a ser composto por mais um distrito por meio da lei estadual n° 185, com o nome de Bom Jesus, em 6 de setembro de 1957. Portanto, Cajazeiras passou a ser formada por quatro distritos com a criação de Bom Jesus.
Na década de 1960, alguns distritos que haviam sido criados e anexados a Cajazeiras por lei começam a se desmembrar. O primeiro foi Cachoeira dos Índios, tornando-se o novo e o mais ocidental do estado da Paraíba, em 26 de dezembro de 1961, por força lei estadual nº 2688. Por meio da lei estadual nº 3096, o mesmo acontece com o de Bom Jesus. Em 1968, apenas os distritos de Cajazeiras e Engenheiro Ávido formavam o município.
A divisão territorial após os desmembramentos dos distritos de Cachoeira dos Índios e Engenheiro Ávido permaneceu inalterada até 1978. Nesse ano, a lei estadual nº 3970 cria o distrito de Catolé dos Gonçalves, mas este não foi instalado, assim o município de Cajazeiras permaneceu dividido em dois distritos. Essa divisão prevalece até os dias atuais.
A predominância do espaço rural foi e está sendo substituída pelo urbano, para atender às exigências da expansão urbana, dada pelo aumento das atividades produtivas na cidade (indústria, comércio e serviços) e pelo aumento da demanda habitacional, gerado pela concentração populacional. O limite entre o campo e a cidade está deixando de ser visível e a população do campo vem decrescendo a cada ano.
PREFEITOS DE CAJAZEIRAS
Coronel Justino Bezerra 1907 à 1913
Sabino Gonçalves Rolim 1913 á 1929
Hildebrando Leal 1929 á 1937
Celso Matos Rolim 1937 á 1940
Coronel Juvêncio Carneiro 1941 á 1945
Manoel Lacerda 1946 á 1947
Tenente Arsênio Araruna 1947 á 1951
Otacílio Jurema 1951 á 1955
Antonio Cartaxo Rolim 1955 á 1959
Otacílio Jurema 1959 á 1963
Francisco Matias Rolim 1963 á 1969
Epitácio Leite Rolim 1969 á 1973
Antonio Quirino de Moura 1973 á 1977
Francisco Matias Rolim 1977 á 1983
Epitácio Leite Rolim 1983 á 1988
Antonio Vituriano de Abreu 1989 á 1992
José Nelo Zerinho Rodrigues 1993 á 1996
Epitácio Leite Rolim 1997 á 2000
Carlos Antônio Araújo de Oliveira 2001 á 2004
Carlos Antônio Araújo de Oliveira 2005 á 2008
Leonid de Sousa Abreu 2009 á 2011
Carlos Rafael Medeiros de Souza 2011 á 2012
Conhecida pela influência econômica e potencial no setor de comércio e serviços, o município, localizado no extremo oeste paraibano, faz intercâmbio social e econômico com os estados do Ceará e Rio Grande do Norte.
O comércio cajazeirense absorve o consumo de quase 200 mil habitantes da região, sendo importante pólo regional.
A cidade é reconhecida pela produção intelectual e contribuição à educação da Paraíba. Cajazeiras é conhecida com a”terra que ensinou a Paraíba a ler”, “ terra da cultura” e “terra do Padre Rolim”.
Um vasta programação está acontecendo desde o dia 16, se estendendo até esta terça-feira(23), com entrega de obras, serviços e muitas festividades.
LOCALIZAÇÃO
Cajazeiras está situada na extremidade ocidental do estado da Paraíba. Pertencente à Mesorregião do Sertão Paraibano e à Microrregião de Cajazeiras, localiza-se a oeste da capital do estado, distante desta cerca de 465 km. Ocupa uma área de 586,275 km², dos quais 2,8193 km² estão em perímetro urbano. Sua população recenseada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2010 foi de 58 437 habitantes, sendo o sétimo mais populoso do estado e o primeiro de sua microrregião.
OUTROS DADOS
A sede tem uma temperatura média anual entre 23°C e 30°C e na vegetação do município predomina a caatinga. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,685, considerando como médio em relação ao estado.
HISTÓRIA
Em 22 de agosto de 1800, ocorre o nascimento de um dos filhos de Ana de Albuquerque, Inácio de Sousa Rolim, que se ordenou em Olinda Pernambuco. Em 1843, Inácio volta ao seu sítio onde moravam seus pais e funda um colégio de salesianos, responsável por provocar a conseqüente povoação do local. Cajazeiras começa a crescer, tendo seus alicerces firmados em um estabelecimento de ensino, tornando-se um poderoso núcleo de civilização.
Em 1859, na época do Brasil Império, pela lei provincial nº 5, de 29 de agosto, ocorre a criação de um distrito denominado “Cajazeiras”, ainda subordinado ao município de Sousa. Quatro anos depois, em 22 de novembro de 1863, a lei provincial nº 92 desmembra Cajazeiras de Sousa e eleva o distrito à categoria de vila. Finalmente, em 10 de julho de 1876, Cajazeiras é elevada à categoria de cidade, tornando-se município da Paraíba.
Até 1911, a divisão político-administrativa de Cajazeiras permaneceu inalterada. Assim permaneceu até 1915, quando um artigo 10 da lei estadual n° 424, datada em 28 de outubro daquele ano e o ato municipal de 1938 criaram e anexaram ao município os distritos de Cachoeira dos Índios e Engenheiro Ávido. Com esses distritos, o município passou a ser formado pelos distritos de Cachoeira dos Índios, Cajazeiras e Engenheiro Ávido. Em 1957, o município passa a ser composto por mais um distrito por meio da lei estadual n° 185, com o nome de Bom Jesus, em 6 de setembro de 1957. Portanto, Cajazeiras passou a ser formada por quatro distritos com a criação de Bom Jesus.
Na década de 1960, alguns distritos que haviam sido criados e anexados a Cajazeiras por lei começam a se desmembrar. O primeiro foi Cachoeira dos Índios, tornando-se o novo e o mais ocidental do estado da Paraíba, em 26 de dezembro de 1961, por força lei estadual nº 2688. Por meio da lei estadual nº 3096, o mesmo acontece com o de Bom Jesus. Em 1968, apenas os distritos de Cajazeiras e Engenheiro Ávido formavam o município.
A divisão territorial após os desmembramentos dos distritos de Cachoeira dos Índios e Engenheiro Ávido permaneceu inalterada até 1978. Nesse ano, a lei estadual nº 3970 cria o distrito de Catolé dos Gonçalves, mas este não foi instalado, assim o município de Cajazeiras permaneceu dividido em dois distritos. Essa divisão prevalece até os dias atuais.
A predominância do espaço rural foi e está sendo substituída pelo urbano, para atender às exigências da expansão urbana, dada pelo aumento das atividades produtivas na cidade (indústria, comércio e serviços) e pelo aumento da demanda habitacional, gerado pela concentração populacional. O limite entre o campo e a cidade está deixando de ser visível e a população do campo vem decrescendo a cada ano.
PREFEITOS DE CAJAZEIRAS
Coronel Justino Bezerra 1907 à 1913
Sabino Gonçalves Rolim 1913 á 1929
Hildebrando Leal 1929 á 1937
Celso Matos Rolim 1937 á 1940
Coronel Juvêncio Carneiro 1941 á 1945
Manoel Lacerda 1946 á 1947
Tenente Arsênio Araruna 1947 á 1951
Otacílio Jurema 1951 á 1955
Antonio Cartaxo Rolim 1955 á 1959
Otacílio Jurema 1959 á 1963
Francisco Matias Rolim 1963 á 1969
Epitácio Leite Rolim 1969 á 1973
Antonio Quirino de Moura 1973 á 1977
Francisco Matias Rolim 1977 á 1983
Epitácio Leite Rolim 1983 á 1988
Antonio Vituriano de Abreu 1989 á 1992
José Nelo Zerinho Rodrigues 1993 á 1996
Epitácio Leite Rolim 1997 á 2000
Carlos Antônio Araújo de Oliveira 2001 á 2004
Carlos Antônio Araújo de Oliveira 2005 á 2008
Leonid de Sousa Abreu 2009 á 2011
Carlos Rafael Medeiros de Souza 2011 á 2012
Fonte: Paraibaaqui
domingo, 21 de agosto de 2011
Feliz Aniversário, Têta!
Têta na Primeira Comunhão Gláucia Holanda ![]() |
| Têta com a mãe, Dona Erotildes com Rosane nos braços |
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| Na primeira comunhão |
![]() |
| Têta e irmã Rosangela |
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Minhas recordações
O Ataque de Lampião à cidade de Uiraúna - Paraiba
Uma vitória da inteligência sobre a força
De fato, no dia 15 de maio daquele ano, liderando uma falange de cerca de trinta e cinco homens, Lampião se prepara para tomar de assalto a Vila de Belém do Arrojado - atual cidade paraibana de Uiraúna. Há dias que ‘olheiros’ residentes em sítios da fronteira já haviam sondado o vilarejo e o cangaceiro – decerto bem ciente das condições do lugar – crê que tem plena chance de sucesso na empreitada que pretende levar avante.
o Arruado de Belém situa-se junto à fronteira do Rio Grande do Norte e é então inexpressivo. Ali não há mais que cento e trinta casas e uma igreja singela. Comércio pobre ou quase inexistente. Também ali não está destacado sequer um contingente policial para manutenção da ordem ou para oferecimento de uma defesa – mesmo que acanhada – no caso de um eventual ataque de cangaceiros. A ‘ordem’ no povoado é garantida somente por um Subdelegado civil, o potiguar Nelson Leite. Apesar de reiteradas notícias sobre incursões de cangaceiros naquela parte da Paraíba nos últimos dias, o Governo do Estado parece ignorar os eventos propalados pelos jornais e pela boca do povo. Apesar de vários reclamos por parte de proeminentes de Belém, o Estado não enviara tropa regular para a localidade.
o início da tarde daquele dia 15 de maio, no entanto, o sertanejo Leonardo Pinheiro percebe a marcha de cangaceiros em direção a Belém. Sem demora, espora o cavalo e entra no povoado em sonoro alarde:
-“Vem cangaceiro por aí! Vem cangaceiro por aí! Parece que é Lampião e não está a mais que umas duas léguas!”
Enquanto a horda marcha em busca do vilarejo, Nelson Leite se apressa em organizar uma defesa. Sangue quente, cioso de suas obrigações, Leite parece disposto a sacrificar a própria vida na defesa da comunidade que lhe fora confiada.
Abandonados à própria sorte, os habitantes de Belém – incentivados por Nelson Leite - tratam de se armar e garantir a resistência do lugar. Civis são convocados e há mesmo os que comparecem voluntariamente para pegar em armas. Ao final do rápido recrutamento, chega-se à desanimadora soma de onze homens apenas. Um contingente ínfimo que tentará rechaçar um bando com cerca de trinta e cinco cangaceiros. Uma luta desigual – se considerarmos a proporção de três bandoleiros para cada defensor e a falta de experiência de guerrilha dos citadinos. Por volta das dezessete horas, finalmente, Lampião avizinha-se da Vila. O frágil agrupamento de casas lhe parece excessivamente frágil e torna-se ainda mais amiudado pela sombra da serra de Luís Gomes, não muito distante dali. “Um alvo fácil”, provavelmente terá pensado o poderoso cangaceiro. O desenrolar dos fatos, porém, lhe revelará um grave erro de prognóstico.
Em que pese a correria desenfreada que se seguiu ao alarma dado por Leonardo Pinheiro, os homens de Nelson Leite aprestam munição e armas. Tudo é feito com rapidez e disciplina.Ao mesmo tempo, mulheres, velhos e crianças – a seguir igualmente os apelos do Subdelegado – buscam refúgio na caatinga ou em sítios de familiares fincados nos arredores de Belém. Pequenos “tesouros” são previamente enterrados em lugares seguros. Potes de barro, caixas de papelão, latas de querosene: qualquer coisa serve como invólucro para as ‘economias’ adquiridas ao longo de anos de trabalho.
Em pouco tempo, os defensores se organizam e estão posicionados em lugares previamente definidos pelo Subdelegado. Dedos nervosos aguardam o desfecho do ataque. Uma testemunha registra os momentos iniciais do entrave:
“O ‘delegado’ Nelson Leite distribuiu uns homens nos pontos mais altos da rua principal, dois outros guarnecendo as laterais e três instalados no teto da Igreja. Quando Lampião entrou com o bando, pela ‘rua velha’, começou a fuzilaria”. (Sinforosa Claudina de Galiza, entrevista).
Nelson Leite, de fato, engendrara bom plano. Distribuíra os poucos rifles e fuzis disponíveis com os onze defensores. Repartiu com irrepreensível parcimônia a rala munição que tinha ao seu dispor. Os melhores atiradores foram destacados para pontos estratégicos. Na teto da igreja - prédio mais alto e com abrangente visão dos arredores - posicionaram-se Luís Rodrigues, Moisés Lauriano, José Teotônio e Joaquim Estevão. O tempo corre lento. Não há novidades. Até perto das oito horas nem sinal da sinistra patuléia de chapéu de couro. A espera alongada transforma as trincheiras em ninhos de ansiedade.
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| Matriz Jesus, Maria e José, Uirauna atualmente. |
De súbito, Luís Rodrigues dá o alarma. Alguém se aproxima. O luar denuncia vultos sorrateiros. Homens armados aproximam-se do povoado pela ‘rua da Proa’. É o início da invasão. De pronto, grande incêndio ilumina a noite na pequena Belém. Grossas labaredas passam a consumir a casa de um agricultor e espalham-se rapidamente para um antigo curral e plantação de milho já há dias quebrado. O incêndio. Método infalível para incutir terror aos sitiados.
Josefa Augusta Fernandes, bem jovem à época do evento, anota a origem do fogaréu:
"Lampião começou destruindo a propriedade do finado João Gabriel, tendo em seguida tocado fogo nos currais e nas plantações de feijão e milho. O fogo serviu para alertar os homens da cidade, sendo que eles já estavam em posição nos principais pontos daqui”. (Maria do Socorro Fernandes, entrevista).
Não havia mais o que esperar. Ao primeiro grito de comando de Nelson Leite, trava-se pesado tiroteio. Lampião, decerto, não esperava semelhante reação. A fantástica fuzilaria oriunda da Vila lhe faz recuar. De efeito, os tiros vindos da rua da Proa tornam inviável uma entrada por aqueles lados.
Sem sucesso na primeira investida, o chefe de cangaço tenta confundir os defensores entrincheirados. Sob sua batuta, os bandoleiros passam a gritar, urrar como animais e a praguejar insultos e xingamentos aos defensores e suas famílias. A permear a gritaria, grossas baterias de tiros.
O rei-do-cangaço deseja tomar Belém. Tentará de todas as maneiras penetrar no vilarejo para vilipendiar suas casas e lhes extrair até o último ‘cobre’. Sem demora, ordena aos comandados a ‘abertura’ de uma linha de fogo pela lateral, com o fito de invadir a Vila pelo flanco oposto.
Nada, entretanto, parece gerar resultado prático. A posição privilegiada dos atiradores locados no telhado da igreja permite que tiros sejam disparados em todas as direções. A resistência agiganta-se com estrondos de repercussão fantástica e de curiosa origem. Nelson Leite improvisara – no pouco tempo que dispôs antes da consecução do ataque - algumas “ronqueiras” e logo começou a fazer uso dos artefatos. Os estrondos causados pelas bombas caseiras são assustadores e surpreendentemente surtem efeito. Um simples improviso que, ao que tudo faz crer, parece realmente ser a chave para uma vitória. (1)
Em pouco, qualquer objeto metálico em formato cilíndrico - e vazado pelo menos em um dos lados - torna-se invólucro para manufatura dos pesados rojões. Joel Vieira, com dezoito anos à época do fato, registrou em depoimento:
“Os que estavam no alto da Igreja, começaram a atirar de ponto e também para dentro da igreja, causando um eco que parecia canhão. O Subdelegado também tinha improvisado umas ‘ronqueiras’, feitas com pólvora socada dentro de latas, e de quando em quando estourava uma. Já estava escuro, e aqueles tiros davam a impressão que havia um canhão com a gente”.
No alto da igreja, Luis Rodrigues - artilheiro mais aguerrido – resolve acrescentar estrondos adicionais aos estampidos das ‘ronqueiras’ improvisadas pelo Subdelegado. Dessa forma, com o intuito de causar impacto ainda maior, começa a atirar quase em paralelo à lateral da nave do prédio sagrado. Estrondos fantásticos, causados pelo eco do salão quase vazio, dão ainda mais ânimo aos outros defensores entrincheirados no teto da igreja. Decide-se que alguns deles, alternadamente, passarão a atirar também para dentro da nave.
A estratégia funciona. Os estrondos se multiplicam. De fato, para quem está do lado de fora, resta a impressão de que algum tipo de canhão está sendo utilizado. Os cangaceiros, atarantados, mantém posição de cautela e não avançam. O escuro da noite enevoada pela fumaça dos disparos os impedem de enxergar, na verdade, o tipo de “arma” adicional que ora se usa na defesa do arruado. O engodo paulatinamente funciona.
No calor da peleja, porém, passos apressados denunciam silhueta humana esgueirando-se próximo à igreja. A escuridão da noite não permite distingui-la com precisão. Da torre principal um defensor atira. O civil Antônio Correia é atingido. Confundiram-no com um cangaceiro. Correia morre pouco tempo depois em razão do profundo ferimento à altura do pulmão. É a única baixa durante o combate.
Os cangaceiros não desistem e tornam a investir contra o território inimigo por uma ruela lateral à igreja. Lampião brada ordens aos seus homens. Todos, contudo, parecem hesitar em razão dos estrondos que continuam a reverberar entre as casas da pequena Belém.
Do lado dos defensores, um voluntário prontifica-se para preparar novas ronqueiras, de forma ininterrupta, servindo-se como espécie de municiador.
Dominado pela ira, Lampião manda reacender o fogo que arde tênue na propriedade de João Gabriel. O vento rapidamente espalha as labaredas em espantosa velocidade. As chamas consomem vacas e bezerros cativos no cercado contíguo a casa. Urros de dor de animais engolidos pelas chamas desenham dantesco suplício. Poucos escapam ao bizarro holocausto.
A derradeira tentativa de conquista do povoado fracassa. Com pesar, os cangaceiros reconhecem que não conseguirão penetrar em Belém.
O desconhecimento dos pontos de defesa, o espocar das “ronqueiras”, o ribombar de tiros reverberados pelo salão da igreja, a configuração física da vila, o cansaço da longa marcha até ali. Tudo parece sugerir uma retirada. Lampião não demora em perceber o malogro da empreitada:
- Vamos sair para economizar munição! – grita furioso.
Ainda se ouvem tiros por mais um quarto de hora. Aos poucos os cangaceiros se retiram do campo de luta. Disparos tornam-se esparsos. Ao compasso da retirada, a fuzilaria regride até reinar o mais absoluto silêncio. Lampião e seus homens deixam Belém em definitivo. É ainda Joel Vieira quem destaca:
“Eles tentaram muito, mas não conseguiram entrar. Antes das sete horas da noite, já tinham ido embora. No dia seguinte, o festejo foi grande, pois todos pensavam que ia morrer muita gente, mas não. Apenas um rapaz morreu vítima de uma ‘bala doida’ e caiu ali perto da Igreja. Tirando o incêndio na propriedade de João Gabriel, o prejuízo aqui foi pouco. Com pouco recurso, a gente botou Lampião prá correr!”.
E Lampião, de fato, jamais voltou a Uiraúna. Nos dias seguintes, um telegrama é enviado para as principais cidades do sertão do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Anunciava-se a vitória de um povo contra o poderoso rei do cangaço. O Intendente local assinou o comunicado:
“Fomos atacados dia 15 famigerado Lampião. Resistimos cerrado fogo, bandoleiros recuaram. Vítima tiroteio Antônio”. (a) José Caboclo.
É a vitória inconteste de um sumário grupo de cidadãos contra quase quarenta cangaceiros. Uma vitória nascida da confiança de homens do povo; sertanejos comuns. Não houve – como aconteceu em Mossoró – um grande lapso de tempo para a preparação de uma defesa. Não houve reuniões; não se teve tempo para comprar armas modernas. Não havia sequer uma torre na igrejinha da cidade. Existia, apenas, a vontade de preservar os próprios lares.
Uiraúna se defendeu heroicamente, a exemplo da resistência mostrada pela pequena Nazaré, em Pernambuco, quatro anos antes. Uiraúna impediu a entrada dos cangaceiros de Lampião como faria a população sergipana de Capela, liderada pelo destemido Mano Rocha, três anos mais tarde.
A vitória do povo de Uiraúna foi obtida sem recursos, sem alarde e sem exploração midiática posterior. Vitória conseguida sem um ‘notável planejamento prévio’ e sem colóquios barulhentos. Vitória de um pequeno grupo de homens pegos de surpresa pelo maioral do cangaço. Vitória, porém, recheada de atos do mais real e verdadeiro heroísmo. Vitória, enfim, da inteligência sobre a força.
Sérgio Dantas
Sérgio Augusto S. Dantas é autor dos livros “Lampião no Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada” (2005), “Antônio Silvino – O Cangaceiro, o Homem, o Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008).
NOTA:
(1) s.f. – Ronqueira: “Cano de ferro, preso a uma tora de madeira e cheio de pólvora, o qual produz grande detonação quando se lhe inflama a escorva”. (Aurélio). As ronqueiras já haviam sido largamente usadas em revoltas populares, como na guerra de Canudos. N do A.
FONTES UTILIZADAS:
A União, edições de 17 e 18 de maio de 1927.
DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. LAMPIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE – A HISTÓRIA DA GRANDE JORNADA. Editora Cartgraf, Natal/RN. 2005. 452 pgs.
SOUZA, Tânia Maria de. UIRAÚNA NO ROTEIRO DE LAMPIÃO, in Revista Polígono, 1997, 158 pgs.
Entrevistas concedidas ao autor por Maria do Socorro Fernandes (2003), Joel Vieira da Silva (2001), Josefa Augusta Fernandes (2000) e Sinforoza Claudina de Galiza (2000).
Fonte:
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Grave abalroamento na BR-230, próximo à Cidade de Sousa PB
Voltando de João Pessoa para Cajazeiras, em Sousa nos deparamos com um grave acidente envolvendo um caminhão baú e um Fiat Uno. Por muita sorte, os ocupantes do Fiat não tiveram graves lesões corporais, o motorista apenas uma luxação no braço esquerdo e o seu acompanhante nada teve, apesar de estar sendo conduzido para uma internação no Hospital Regional de Sousa. O seu estado de saúde em nada foi agravado a não ser o grande susto.
Mas susto maior foi do caminhão ¾ que estava estacionado tentando consertar uma roda que tinha sido sacado do veículo, minutos antes do acidente. Agora imaginem ao ouvir o estrondo da colisão. Segundo comentários que eu escutei ele estava mais branco do jaleco hospitalar e exclamava amiúde que de acidente de carro não morria mais.
Vejam a distância que o Fiat ficou do caminhão ¾, por uma triz não saiu também avariado.
O caminhão que vinha no sentido Sousa/Cajazeiras ao tentar se desviar do Fiat quase desce do lado direito da pista, ao tentar não descer no barranco girou a direção no sentido contrário descendo com o caminhão no barranco do lado oposto.
O motorista do caminhão oriundo de Santa Catarina me declarou que nos seus quase trinta de estrada nunca tinha se envolvido num acidente de tal monta. Ainda nervoso comentou a imprudência do Fiat Uno.
Como falei anteriormente nós vínhamos de João Pessoa, certo de que chegaríamos às 17 horas, qual nada! O engarrafamento provocado pelo abalroamento foi enorme. E tome muito tempo para nós ultrapassarmos. Não foi fácil para a Polícia Rodoviária liberar a pista.
A imprensa sempre vigilante presente já se encontrava por lá, na foto um radialista da Líder FM de Sousa transmiti ao vivo a trágica ocorrência.
Por outro lado, como a colisão foi na lateral do caminhão, o tanque de combustível foi perfurado e começou um grande vazamento de diesel que potencialmente poderia provocar um incêndio haja vista o capim já não perdido o seu verde do inverno.
domingo, 14 de agosto de 2011
Cajazeiras 148 anos, programação
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