quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O caixa 2 e as atas falsas

Por Francisco Frassales Cartaxo


O caixa 2 de campanha é instituição nacional, usado por candidatos e partidos em todos os lugares. Do presidente da República ao vereador de Bom Jesus, todos omitem os “recursos não contabilizados” em suas prestações de contas à Justiça Eleitoral. O caixa 2 é o famoso “por fora”, recurso arrecadado por baixo do pano, quase sempre de origem duvidosa, fruto do desvio de verbas de obras e serviços públicos, mediante acertos pré-licitatórios ou de outras facilidades concedidas em transações com o poder público. Enfim, recursos sujos provenientes de relações promíscuas entre gestores públicos e empresários.

Mesmo que a prática generalizada do caixa 2 de campanha seja do domínio público,  espanta ouvir do advogado do réu Delúbio Soares, Arnaldo Malheiros Filho, na sustentação oral perante os ministros do STF, na Ação Penal 470, estas palavras:

“O procurador disse que nunca foi respondida uma pergunta: por que tudo isso era transmitido cash, por que não se faziam corriqueiras transações bancárias? Na verdade, porque era ilícito. O PT não podia fazer transferências de um dinheiro que não tinha entrado nos livros. Delúbio é um homem que não se furta a responder por aquilo que fez, só não quer ser condenado pelo que não fez. Que ele operou o caixa 2 de campanha, operou. Que é ilícito, é,  isso ele não nega”.

À luz dessa lógica, Delúbio cometeu um crime, mas é corajoso Um herói. Certo? Que nada! Retórica, pura retórica, visando desqualificar a tese do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, segundo a qual o mensalão é “o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção do Brasil”, caracterizado por formação de quadrilha e outras seis condutas tipificadas como crimes no Código Penal. A estratégia da defesa visa transformar as condutas ilícitas em crimes eleitorais. Aliás, crimes já prescritos! Assim, caso o STF acate a tese articulada pela defesa, a Ação Penal 470 passaria à história como uma tremenda farsa. Tal qual eram as “atas falsas” de antigamente. Com uma diferença essencial: as “atas falsas” tinham respaldo na legislação eleitoral da época, ao contrário do caixa 2 de campanha, que é ilegal.

E o caixa 1?

É o que embasa a prestação de contas das campanhas eleitorais, chega arrumado às mãos do juiz. Receitas arrecadadas de um lado, despesas realizadas do outro. Faturas, recibos, cópias de cheques emitidos etc. etc. Tudo limpo, comprovado. Perfeito. Perfeito uma ova! Falso. Ficção. Tanto quanto as “atas falsas” das “eleições a bico de pena” na República Velha, fonte do poder dos coronéis e dos chefes das oligarquias regionais. Base do sistema político de então. Pois bem, o caixa 2 está para a democracia moderna, democracia da urna eletrônica, assim como as “atas falsas” estavam para as instituições políticas da Primeira República, só extirpadas, as “atas falsas”, pela Revolução de 1930.
  Nem pensar. A solução está numa radical reforma política que, entre outras medidas, elimine a deturpação do processo eleitoral, extinga a prática do caixa 2 de campanha e puna a falsidade do caixa 1. E iniba a existência de partidos e políticos que se vendem como farinha na feira. Como fazê-lo? O primeiro passo é a sociedade adquirir consciência de seu papel, organizar-se para assumir o comando do processo. Nesse sentido, a transparência do julgamento da Ação Penal 470 presta um grande serviço, qualquer que seja a decisão final do STF.

sábado, 18 de agosto de 2012

Enfim o grande dia!

Enfim chegou o grande dia, Cajazeiras cheio de filhos que vieram à grande 10º FESTA DO REENCONTRO. Hoje serão homenageados empresários da cidade de Cajazeiras José Antonio de Albuquerque, José Nello Rodrigues (Zerinho) e José Cavalcanti da Silva serão homenageados durante o Baile do Reencontro que será realizado no próximo dia 18 deste mês, no Clube Campestre. A informação foi confirmada pelo presidente da Associação dos Cajazeirenses e Cajazeirados do Ceará (AC3), Mário Cartaxo.
As perspectivas altamente favoráveis demonstram que este Evento será a maior Festa Social de todos os tempos em Cajazeiras

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Na contagem regressiva, o grande momento de Cajazeiras!

ESTÁ CHEGANDO A HORA DA FESTA MAIS ESPERADA DO ANO. No próximo sábado, vamos estar todos no Clube Campestre Cajazeirense, para o 10º BAILE DO REENCONTRO - A FESTA NOTA 10. Na ocasião, uma temática inovadora: UMA NOITE CARIBENHA EM CAJAZEIRAS.

Antecipando, segue anexo a Arte da Faixa Grande que ficará exposta no Palco Grande do Campestre.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O julgamento do submundo da política brasileira

por  Francisco Frassales Cartaxo
Começou no Supremo Tribunal Federal a fase de julgamento da Ação Penal 470, um gigantesco processo judicial ligado a esquema de corrupção que teria sido engendrado, no primeiro governo Lula, pela cúpula do PT, em conluio com bancos privados e empresários, para aliciar o apoio de parlamentares no Congresso Nacional. O tema vai ocupar a mídia brasileira, de modo arrasador, nestas próximas semanas, daí porque me proponho a ajudar o leitor a entender melhor o que está por trás deste fantástico processo jurídico-político, apelidado de mensalão.
Por que mensalão?
O termo foi uma invenção do presidente do PTB, Roberto Jefferson, ao denunciar, em 2005, que o PT teria montado um poderoso mecanismo de arrecadação de dinheiro público destinado a comprar votos de parlamentares do PP, PL (hoje PR) e PTB, a fim de garantir aprovação de matérias de interesse do governo Lula. Seria uma espécie de mesada. Deriva daí, portanto, a palavra mensalão, hoje incorporada até mesmo a peças oficiais do processo judicial. O mensalão está no centro do debate e, sobretudo, das teses defendidas pelas partes envolvidas no processo. O PT, por exemplo, nega a sua existência, jurando não realizar pagamentos mensais com o intuito de comprar apoio político, mas assume que distribuiu alguns milhões de reais entre partidos aliados para cobrir despesas de campanha. Para isso, confessa ter mobilizado “recursos não contabilizados”, na expressão aplicada pelo então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, em lugar do popular e execrável “caixa dois”. Execrável mas usado por todos, sob o olhar complacente da Justiça Eleitoral. O PT confessa-se pecador, porém, apenas usuário do “caixa dois”, um mero “pecado venial”, aliás, de uso generalizado no Brasil. Com isso, o PT abre mão do tradicional orgulho de ser um partido diferente na cena política brasileira, nivelando-se por baixo: se todos fazem, por que o PT não pode fazer... Essa é uma das teses defendidas por um grupo de réus.
De onde vem o dinheiro do mensalão?
Dos cofres públicos, diz a peça inicial do Ministério Público. O PT tenta provar que obteve parte da grana através de empréstimos bancários legais, recorrendo, aliás, sem nenhuma originalidade, à intermediação do publicitário mineiro Marcos Valério, o mesmo empresário que já prestara serviços semelhantes ao PSDB de Minas Gerais, na campanha eleitoral de 1998. Por isso muitos afirmam que o PT simplesmente copiou mecanismo usado pelo PSDB, seu maior e mais ferrenho adversário, provando mais uma vez que, agora, é um partido igual aos outros...    
Quem são os réus?
O Ministério Público Federal enquadrou 38 réus: 13 deputados federais (ou ex); 3 tesoureiros e 3 dirigentes ou assessores de partidos; 10 dirigentes e executivos de agências de publicidade; 6 executivos e auxiliares de instituições financeiras; 3 ocupantes de cargos no governo Lula. Entre os mais conhecidos estão os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB), José Dirceu (PT), José Genuíno (PT), Valdemar Costa Neto (PR); o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o publicitário Marcos Valério.
Quais são os crimes praticados?
O MPF tipificou condutas irregulares dos participantes como: formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O chefe da quadrilha seria José Dirceu que, no entanto, nega sua participação no esquema criminoso.
Muito mais do que um processo penal, o mensalão envolve o julgamento de práticas usuais no submundo da política brasileira. Julgamento público, à luz do dia, com transparência, pelo Poder Judiciário. Desse processo poderão emergir profundas mudanças nos rumos da democracia brasileira. É que se espera.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

ESCÂNDALO: Prefeito Carlos Rafael, primo, sogro e secretário de cultura desviam mais R$ 400.000,00 dos cofres públicos, denuncia o site Paraíba Urgente

DEPOIMENTO DO TIKO MIUDEZAS
EXCLUSIVO - O descaso na administração municipal de Cajazeiras toma de conta da cidade que “ensinou a Paraíba a ler”.
Conforme um documento que foi enviado ao promotor do Ministério Público de Cajazeiras, pelo empresário Tiko Miudezas e que o Jornalismo do Paraíba Urgente teve acesso com exclusividade, além do calote dado no valor de mais de R$ 1 milhão por parte da prefeitura de Cajazeiras na empresa PERFIL, o dinheiro das vendas dos camarotes do carnaval 2012, foram desviados dos cofres públicos.
Foram vendidos 50 camarotes na parte superior e 50 na parte inferior, ao preço de R$ 2.800,00 e R$ 3.200,00 respectivamente, totalizando 300 mil reais.
O dinheiro era pago diretamente ao representante legal da Coligação Cajazeiras de Mãos Limpas e primo do atual prefeito Carlos Rafael, o senhor Rusbênio Lira de Sousa, ao sogro do prefeito, Sr. Edilson Brito e ao secretário de cultura, Júnior Terra e os citados repassaram o dinheiro para o prefeito Carlos Rafael, caracterizando assim, o desvio.
O mesmo ocorreu também com quantia de R$ 100 mil de empresários que anunciaram nos espaços de propaganda dos camarotes.
A empresa Pau Brasil, também pagou a quantia de R$ 30 mil para ter exclusividade na venda de bebidas no local do carnaval.
Somando tudo, Carlos Rafael e seus seguidores, desviaram cerca de R$ 450 mil dos cofres públicos só no carnaval.
O Ministério Público está investigando as denúncias do empresário Tiko Miudezas e em breve tomará uma ação contra o desmando na administração de Carlos Rafael.
Fonte: Bruno de Lima, do Paraíba Urgente

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A nova Cajazeiras (2)

Por Francisco Frassales Cartaxo

Volto a falar do crescimento urbano de Cajazeiras, agora para reforçar o que afirmei, semana passada, acerca da velocidade da ocupação do solo, graças a extraordinária proliferação de loteamentos, a construção de casas e edifícios. É espantoso verificar a rápida incorporação à cidade de propriedades rurais, como o sítio Serraria dos saudosos irmãos João e Moisés Braga, hoje com boa parcela das terras transformada em ruas. Estima-se que existem em Cajazeiras atualmente mais de 9.000 lotes distribuídos em cerca de 20 loteamentos. Na zona norte acha-se quase metade dos lotes, incluindo os do loteamento situado além do campus da UFCG, lançado este mês pelo ex-prefeito Zerinho.
A zona sul, por sua vez, concentra o maior número de casas em construções nas duas margens da BR 230. Ali existe um enorme empreendimento imobiliário de quase 3.000 lotes, parte dos quais com dezenas residências já em fase final de acabamento, onde até pouco tempo as terras eram ocupadas no inverno com lavouras de milho e feijão. Na saída para Sousa, outros tantos loteamentos oferecem oportunidades de investimento, aquém e além do riacho Curicaca, que já avançam até a Fazenda Bagaceira, cuja casa grande fora outrora refúgio eventual para descanso do empresário Clóvis Rolim, em suas raras vindas de Fortaleza.
Como arranjar pedreiro para tantas obras? Convoca-se o “meia colher”, me disseram dois engenheiros do ramo da construção civil. O “meia colher” é o servente, ajudante ou auxiliar de pedreiro que, bem ou mal, já está familiarizado com a profissão, pois se encarrega de preparar a massa, dar o traço, manejando o instrumento de trabalho do mestre de obra, a colher de pedreiro. São eles, os “meia colher”, que estão resolvendo um dos problemas causados pela explosão imobiliária: a falta de mão de obra especializada. Ora, o aproveitamento do “meia colher” como pedreiro exige o mínimo de tempo, a um custo ínfimo para o setor, mas para ele representa mudança de status profissional, ao propiciar-lhe ascensão no nível de renda e na escala social. Não tem sido, portanto, muito difícil arregimentar trabalhadores para a construção civil.
Difícil, quase impossível, no entanto, é o poder público municipal assumir seu papel de zelar pela expansão decente da cidade, evitando os transtornos e vícios urbanos que predominam atualmente, que fazem de Cajazeiras uma cidade próxima ao caos urbano, embora sua população, segundo o IBGE, não chegue a 60.000 habitantes. Difícil, quase impossível, é a sociedade cajazeirense acordar para a tarefa de, pelo menos, saber como está sendo definido o seu futuro. Saber como estão sendo estruturados os novos loteamentos, a largura de ruas e calçadas, se estão prevendo as reservas de espaços públicos de mobilidade e lazer, de áreas para praças, parques ou até mesmo para atividades comerciais. E se estão cuidando da preservação de cursos naturais de drenagem de águas pluviais. Vi com meus próprios olhos áreas com essas características serem aterrados para dar lugar a novas edificações, ao arrepio do Código de Obras.
Diante dessa preocupante realidade e da frustrada tentativa de ordenamento do caos urbano, iniciada e logo interrompida no curto governo Léo Abreu, tenho fortes dúvidas quanto à qualidade de vida na nova Cajazeiras. As perspectivas são sombrias. E pior ainda, temas como este passam longe da agenda dos candidatos a prefeito e vereador, sob o olhar indiferente da sociedade. Uma lástima para uma cidade que busca afirmar-se com centro regional de ensino universitário.

Gasto em Cajazeiras supera R$ 4 milhões. Ó PANELA BOA!

            Em Cajazeiras, o prefeito Carlos Rafael (PTB) vai gastar na cam- panha pela re- eleição R$ 3 milhões, en- quanto Carlos Antônio Araújo (DEM) terá despesas de R$ 1 milhão.

 Cabe a pergunta, se o jovem Carlos Rafael não estivesse à frente da prefeitura municipal, ele gastaria ou teria este dinheiro todo?

Ó PANELA BOA!