terça-feira, 11 de junho de 2013

Bosco Maciel - o criador da Casa dos Cordéis

Bosco Maciel -
o criador da Casa dos Cordéis
Claudiomar,

Dentre muitas atividades culturais que exerço (palestras em Universidades, shows musicais, coordenação de saraus literários, Teatro de Cordel (Companhia Magote de Maluvidos)), criei e dirijo o Instituto Cultural Casa dos cordéis em Guarulhos.

Segue abaixo, portanto, as atividades culturais da Casa dos cordéis realizadas neste final de semana, e, o que temos programado:

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BOSCO MACIEL na Casa dos cordéis (ingresso 20,00)

Show "... Sêr BRINCANTE" (produção de MARLI DOROTI) e
                                      (direção musical de RODRIGHO MORAES)
****************** SÁBADO e DOMINGO (8 e 9/06)

Neste trabalho Bosco Maciel traz a público toda a beleza e a fantasia que compõe o Teatro de cordel. Este projeto nasceu há tres anos a partir da poesia "O Brincante" escrita pelo próprio Artista em seu livro 'Romanceiro' editado em 2005.  Quem assiste ao espetáculo, vive a própria história da Cultura Nordestina, baseada nas riquezas da Literatura de cordel, sob o enfoque picaresco dos 'brincantes' e 'mamulengos'. O Artista sintetiza neste projeto toda sua história de dedicação à Cultura popular e ao folclore Brasileiro. Produção: Marli Doroti. Direção musical: Rodrigho Moraes. Iluminação: Rogério Brito. Direção de palco: Osvaldo Alves. Venda antecipada de ingressos na Livraria Nobel do Espaço Novo Mundo - Av. Salgado Filho, 1453 - Guarulhos - SP 

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VALDIR VERONA na Casa dos cordéis (entrada 10,00)

Show " NA ESTRADA "

15/06 (sábado) 20h

O presente projeto mostra um pouco das diversas facetas desenvolvidas pelo Artista no decorrer da estrada. Nele estão presentes: O músico instrumentista, o compositor, o cantor – talvez fosse melhor “cantador” – o arranjador etc. No repertório do CD estão as novas composições instrumentais “Estações” e “Chacarera Entre Amigos”, as canções “Com a Viola na Garupa”, “Irmão Violeiro” em parceria com Juarez Machado de Farias e “Moenda da Vida” em Parceria com Rubem Sholl. No repertório tem arranjos para clássicos da música do Sul, com os quais me identifico muito, tais como: “Os Homens de Preto” de Paulo Rushell, “Balseiros do Rio Uruguai” de Barbosa Lessa e “Semeadura” de Vitor Ramil. Também procurei revisitar composições dos meus primeiros CDs a exemplo de  “Cuñatai”, gravada originalmente no CD “Acordes ao Vento” de 1995 e “Rimas Dispersas” do CD “Tons da Terra” do ano de 2000. O CD conta com as participações especiais do músico uruguaio Carlitos Magallanes ao Bandoneón, do Matogrossense Daniel de Paula na viola de cocho, dos mineiros Luiz Salgado e Rosa Amélia e do grupo vocal gaúcho Chão de Areia, dos músicos caxienses Eder Bergozza , Itiberê Lucena e Fernando Zorzi. As imagens de capa – óleo sobre tela - são do artista plástico Vasco Machado.
Sinopse do Show:
A proposta apresentada para a Casa dos Cordéis é de uma apresentação musical, tendo como base, canções e temas instrumentais que fazem parte do CD “Na Estrada” em fase de lançamento, assim como as principais composições de CDs anteriores e também músicas que influenciaram seu trabalho. O formato da apresentação é solo – Viola de 10 cordas e voz.
Formato:
Músico: Valdir Verona - Violas de cordas e voz
Duração: aprox. 60 min
Repertório:
Estações – Valdir Verona (Instrumental)
Com a viola na garupa – Valdir Verona
Irmão violeiro – Valdir Verona e Juarez Machado de Farias
Aviso - Valdir Verona e Juarez Machado de Farias - Do CD Uma Viola ao Sul
Enseada – Valdir Verona (Instrumental) - Do CD Uma Viola ao Sul
Rancheira violada – Valdir Verona(Instrumental) - Do CD Uma Viola ao Sul
Rimas dispersas – Valdir Verona e Loresoni Barbosa
Os Homens de preto – Paulo Rushel/arr. Valdir Verona
Semeadura – Vitor Ramil/José Fogaça/arr. Valdir Verona
Encontro das Águas – Tavinho Moura
Um Violeiro Toca – Almir Sater e Renato Teixeira
A Vida do Viajante/O Trenzinho do Caipira – Luiz Gonzaga e Hervê Clodovil/Heitor Villa Lobos

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SAPIRANGA na Casa dos cordéis (entrada 15,00)

Show "SEGREDOS DO TEMPO"

16/06 (domingo) 19h

Antonio Neto (Sapiranga) Violonista, cantor e compositor, Sapiranga é o criador do conceito da Música da Zona da Mata da Bahia. Pesquisador da cultura popular, se abriga autenticamente no seio da Mata Atlântica, onde nasceu. Dela extrai os seus sentidos e símbolos para criar a Música da Zona da Mata, como ele mesmo chama a sua criação. Sua música possui uma moldura arrojada e moderna, sem perder, no entanto, os sentidos do que é a sua Raiz. Discografia - Sapiranga passaro Noturno 2005 / Sapiranga Segredos do Tempo 2011.

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DANI LASALVIA na Casa dos cordéis (entrada 15,00)

Participação: AMAURI FALABELLA

22/06 (sábado) 20h

DANI LASALVIA, é cantora, compositora e violonista paulistana e foi encaminhada profissionalmente por Dércio Marques em 1996, através da participação em shows ,discos e inúmeros projetos dirigidos por ele. Através dele também, pôde conhecer e aprender com outros mestres como o maestro Zé Gomes, Stênio Mendes, Vidal França, José Eduardo Gramani, Elomar Figueira de Mello, João Bá. Além do violão, toca viola caipira e outros instrumentos inusitados, dos quais adora extrair novas sonoridades, utilizando também a percussão vocal e corporal aprendidas em oficinas com Stênio Mendes e Fernando Barba (grupo Barbatuques). Outros cursos fizeram parte do curriculum de Dani como: Violão com Paulinho Paraná, Canto lírico com Adriana Clis, Canto Popular com Ivete Souza, Canto lírico no conservatório Tchaikovsky (Rússia), além de workshops como o do violonista Marco Pereira (ministrado no Sesc Vila Mariana) e o de viola Caipira (ministrado por Índio Cachoeira, Zé Helder e Ricardo Vignini.) Dani traz como principal instrumento - a voz. E seu uso profissional vai de performances, a aulas de canto que Dani ministra há mais de dez anos. Dani tem ajudado inúmeros alunos a desenvolver uma técnica vocal saudável, capaz de manter a voz íntegra e afinada mesmo após tournés e desgastee físico. Seu timbre de larga tecitura, permite não só a suavidade, mas também a força nos agudos e graves, que aliados ao sentimento, dão maior expressividade e delicadeza em suas interpretações.
AMAURI FALABELLA foi vencedor em 2000 do prêmio Especial do Júri Popular no Festival da Música Brasileira da Rede Globo, quando sua canção Brincos recebeu 60% da votação, Amauri Falabella canta coisas em que acredita e da maneira que gosta. Com forte influência de variados estilos musicais como o de Elomar, Xangai, Vital Farias, Vidal França e Dercio Marques, hoje é considerado pela critica como um “Trovador”.

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WOLF DO VALE na Casa dos cordéis (entrada 5,00)

show "RESENHA"
Participação: MAURO MESAQUE e LUCIANA DUARTE
06/07 (sábado) 19h

Nascido em São José dos Campos e em Guarulhos desde 1967. Iniciou sua vida musical em 1979 superando a marca de 200 edições de Festivais pelo país além de compor trilhas sonoras de peças teatrais, produções musicais (Adylson Godoy, Teresa Miguel e Ana Lee), gravações de CDs, projetos culturais e ações independentes de atividades culturais dos mais variados segmentos. Esteve presente nos trabalhos de Beto Santos, Nivaldo D Ávila, Sidnei Sales, Helton Gomes, Mauro Mesaque, Rute Glória, Leilah Neme, Ana Lee, Teresa Miguel, Orlando Alvorada, Amauri Falabela, Laura Mac-Knight Maule entre outras participações. Promoveu ao lado do produtor cultural NETO BOBILLO o evento semanal “NOITES AUTORAIS”, encontro que aproximava artistas de Guarulhos e outras localidades com o propósito de divulgar e fortalecer o trabalho de criações próprias realizando ininterruptamente 35 edições. Traz para a Casa dos cordéis o Show “RESENHA” seu repertório que mescla o bucólico e o urbano além de homenagear grandes nomes da MPB. Receberá em sua apresentação como convidados Mauro Mesaque e Luciana Duarte.

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EUFRA MODESTO na Casa dos cordéis (entrada 10,00)

show 'CAUSOS, CANTIGAS e CANÇÕES'

17/08 (sábado) 20h

Quando Eufra Modesto começa a contar um  causo, o público, seja ele de jovens, crianças ou adultos, entra numa espécie de transe. Até o momento do ápice, quando eclode um imenso coro de gargalhadas e, claro, muitos aplausos. Como um espírito que vem sem avisar, Eufra encarna um matuto. Suas mãos, sua face e sua expressão corporal revelam o grande artista que é, fascinando o público a cada movimento. “É sem dúvida o maior contador de causos da atualidade”, afirma o folclorista Bosco Maciel, de Guarulhos. Para o escritor e cordelista Costa Sena, “de São Paulo ao Ceará não há declamador e contador de causos com a performance de Eufra Modesto”. Afinadíssima, sua voz de trovão é marca registrada. Acompanhada de seu violão, dá nova roupagem a músicas de Geraldo Azevedo, Zé Geraldo, Elomar Figueira, Vital Farias, Renato Teixeira, Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Luis Vieira, e outros, encantando a platéia. Qualquer que seja sua performance, estarão lá a música, a poesia, o teatro e um
bocado de graça. Eufraudísio Modesto é nascido na Bahia e há 40 anos vive em São Paulo. É músico, compositor, ator, cordelista, pesquisador da cultura popular e mestre de capoeira. No show  Causos, Cantigas e Canções, Eufra faz um resumo de sua trajetória, resgatando o grande valor da sabedoria popular com contos, causos, versos, travalínguas, cantigas de roda, anedotas e música brasileira da melhor qualidade. Recentemente lançou em Várzea Paulista o projeto Folclorinhos, no qual apresenta
cantigas folclóricas de épocas antigas para crianças e educadores do ensino infantil e fundamental. “É emocionante ver a garotada cantando as composições da era das
nossas avós. Eu nem imaginava que faria tanto sucesso”.  No palco O artista também é mestre nos palcos. Tem em seu currículo as peças teatrais “A noiva do ondutor”,“Os Saltimbancos”, “O Grande Circo Místico”, “Caymmi: Lendas do Mar”, “Dos Festivais”, “A Era do Rádio”e “Os Afro-Sambas”, de Vinício de Moraes e Baden Powell, todas com o elenco do Coral Cênico da Unifesp, com apresentações nos SESC da Vila Mariana,  Belenzinho, Pompéia e Santo Amaro, no Memorial da América Latina, Centro Cultural São Paulo, Teatro João Caetano, entre outros. Também participou das peças ”História do Brasil em Cena”, “Guerra Salva a Casa”, “Olhares de Iaiá” e “História do Bras”.
Atualmente, Eufraudisio é Diretor de Cultura de Jundiaí, protagonizando junto à comunidade um trabalho não de resgate, mas de criação de uma identidade cultural
para a cidade, que hoje vive um momento de real efervescência cultural, reconhecida e aplaudida dentro e fora da região.

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Bosco Maciel

011 9780.0958

sábado, 8 de junho de 2013

E há um curtidor no caminho que ninguém conhece!

por Luiz Carlos da Silva Gomes.*
Luiz Carlos (à esquerda) e José Fernandes, as margens dor Rio do Curtidor
    Era o ano de 1975 quando eu viajava na “estrada por dentro” entre Sousa e Antenor Navarro e a casa do Nato, no sitio Juazeirinho, era parada obrigatória tanto na ida quanto na volta. Nessa época não se ouvia falar em assaltos e quando eu voltava de Antenor Navarro era por volta das 16:00 horas porque a temperatura já estava amena.
Numa dessas passagens pela casa do Nato, ele me falou sobre como curtiam couros antigamente, com casca de angico, nuns tanques escavados na pedra no lugar conhecido por eles por Rio do Curtidor ou Rio dos Tanques (que na verdade é o Rio do Peixe) perto da casa dele e eu me mostrei interessado em conhecer o local. E assim numa tarde quando eu retornava de Antenor Navarro, para Sousa ele me levou ao local por um caminho que estava marcado pessoas e o gado passar por ele, indo para o rio.
Fomos a pé e já próximo do rio percebi um rastro grande com três dedos impresso na rocha. Perguntei a Nato de que era aquele rastro, mas ele me disse que nunca tinha visto antes embora passasse com freqüência naquele caminho. Imaginei que fosse um rastro de galinha gigante, do passado, que havia ficado impresso naquela rocha. Seguimos adiante e fui conhecer ali perto o curtidor que nada mais era do que dois buracos escavados na rocha há muito tempo atrás.
No Rio do Peixe onde está o Rio do Curtidor ou Rio dos Tanques como é conhecido, após o inverno se formavam poços ao longo do rio e para cada um destes poços, os sertanejos colocaram nomes desde os tempos passados. Assim, neste local é conhecido como “Poço da Vaca” onde o gado e outros animais bebem água e o sertanejo do lugar se abastece para consumo humano e usos domésticos.
No passado o sertanejo vivia praticamente isolado e para atender suas necessidades básicas buscavam solucioná-las se utilizando os meios que estavam ao seu alcance com ensinamentos que passavam de geração a geração. Eles precisavam da sola, por exemplo, para diversas aplicações no cotidiano, mas era um produto caro e não era encontrado facilmente na Antenor Navarro do passado, senão nas cidades de Sousa e Cajazeiras quando as viagens aconteciam a cavalo.
Do couro curtido, ou seja, da sola, fabricavam artesanalmente objetos de uso pessoal como chinelos de rabicho, bolsas, arreios de selas para animais de montaria, alforjes, caçuás para transportar produtos diversos desde os produzidos nas roças como milho, feijão e arroz, ou ainda pelos tropeiros (ou comboieiros) que conduziam rapadura e farinha do Cariri Cearense para Mossoró e de lá traziam o sal em pedras ou tecidos para vender pelos sertões do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará.
Outro objeto fabricado de sola era o surrão, utilizado para armazenar feijão na garapa. Fazia a garapa fina no engenho de rapadura, melava o feijão todo e a seguir colocava dentro de um surrão que era costurado com linha de sola. Assim o feijão era conservado durante vários meses antes de ser consumido. Havia outros métodos para a conservação do feijão, mas aqui nos referimos exclusivamente ao surrão de sola.
Antigamente para curtir couros de gado, bodes e ovelhas, o sertanejo primeiro esticava o couro com varas e cipós e colocava ao sol para secar, antes retirando todos os restos de carne e gorduras. Depois de seco, colocava nos tanques escavados na rocha juntando-se água misturada com a casca do angico. Ali ficavam até que os pelos se soltassem do couro quando estava pronta finalmente a sola. Esse processo acontecia após o inverno para evitar assim que a água da chuva não se misturasse com a água dos tanques contendo a casca do angico.
A descoberta do rastro da “galinha gigante” me inquietou, pois nunca antes eu havia estado frente a frente com tão inusitado achado. Por coincidência nesse tempo estava em Sousa o paleontólogo Giuseppe Leonardi que havia chegado ao sertão procurar e estudar rastros de dinossauros. Tão logo cheguei de Antenor Navarro, à noite fui procurar Leonardi, no hotel, para conhecê-lo e lhe dizer do meu achado para ouvir sua opinião. Nesse tempo eu já me interessava pelas pinturas rupestres encontradas na Serra Branca, que também tratei ao paleontólogo sobre aqueles registros, mas dele ouvi: “essas ocorrências são recentes comparadas com os rastros dos dinossauros de milhões de anos passados, cabendo a outros especialistas estudarem essas pinturas rupestres”.
Ficou combinado então naquele encontro que no sábado seguinte eu levaria Giuseppe Leonardi ao Rio do Curtidor ou Rio dos Tanques como é conhecido pelos moradores do sitio Juazeirinho.
Quando chegamos ao local apresentei a Giuseppe Leonardi o rastro da “galinha gigante” quando eu vim, a saber, que se tratava de um rastro de dinossauro do grupo dos terópode, do qual fazem parte os carnívoros. Naquela oportunidade o paleontólogo descobriu outros rastros no Rio do Curtidor vindo a catalogá-los como ANJU 1, 2... Essa sigla correspondia de Antenor Navarro (AN) e Juazeirinho (JU). No mesmo dia quando nos encontrávamos lá com ele fazendo desenhos e anotações das novas pegadas descobertas, chegaram algumas pessoas que nos disseram que costumavam retirar pedras daquele local para a construção de alicerces de casas. Preocupado com o risco em potencial daqueles bonitos rastros viessem a ser destruídos, na tarde daquele dia ele falou com o então prefeito Dr. José Dantas Pinheiro solicitando sua autorização para transportar aquelas rochas contendo pegadas para a cidade de Sousa onde ficariam protegidas para não serem destruídas, tendo o então prefeito concordado com a proposição do paleontólogo que dias após com o uso de um caminhão muque fez o transporte das pegadas para o jardim de prefeitura de Sousa onde ficaram expostas por mais de vinte anos até serem levadas para o museu do Monumento Natural Vale dos Dinossauros em 1996. E lá se encontram ao lado esquerdo do acesso de quem adentra ao museu.
Antes da instalação do museu o Governo do Estado da Paraíba contratou os serviços do fotografo profissional Machado Bittencourt, para fotografar sítios com pegadas de dinossauros e pinturas e incisões rupestres no sertão da Paraíba. No sitio Juazeirinho onde esteve o fotografo na minha companhia, no dito Rio do Curtidor fotografou o Nato dentro de um dos buracos escavados na rocha para curtir couros (e Machado sabia disso), mas quando a fotografia foi exposta num painel no museu, constava que daquele buraco havia sido extraída uma pegada. Informação errada, sem dúvida, que mesmo esclarecida por mim as pessoas encarregadas pela instalação do museu não fizeram as devidas correções. E assim, ficou perdurando a idéia de que dali havia sido extraída uma pegada de dinossauro, quando na realidade isso nunca havia acontecido, pois as pedras que Leonardi havia trazido para Sousa estavam soltas e em outro local próximo dali.
Anos depois um cidadão de São João do Rio do Peixe publicou na Coluna Milenium do Correio da Paraíba a foto de um dos buracos do curtidor informando que eu havia levado uma pegada daquele local. Haja força e falta de raciocínio, e, claro de inteligência acima de tudo para perceber que era impossível que eu conseguisse carregar uma pedra pesando mais de uma tonelada. Escrevi ao jornal comunicando a realidade dos fatos que publicou na mesma coluna a correção daquela matéria que tinha unicamente a intenção de prejudicar meu conceito. Poderia muito bem entrar com uma ação contra o dito cujo, mas optei pelo esclarecimento da verdade no mesmo jornal.
Luiz Carlos (à esquerda) explicando a José Fernandes sobre a região do Curtidor
 Depois do a-chado do “pé da galinha gigante” no Rio do Curtidor passei a me interessar pela busca dos rastros dos dinossauros e se seguiram novas descobertas de pegadas até que num dia fui perguntado pelo Globo Repórter o que eu fazia antes de ser caçador de dinossauros. Com a perguntar assim inesperadamente eu ri, foi quando ouvi o “corta”. “Você não pode rir, mas vai responder a perguntar que te fiz, sem rir”, me disse o repórter Carlos Fachel da TV Globo que estava fazendo uma matéria sobre os “Caçadores de Dinossauros no Brasil”, de Santa Maria no Rio Grande do Sul onde uma criança achou o fóssil mais antigo de dinossauro já descoberto no Brasil, ao Amazonas onde foi descoberto o fóssil do Purossauro, uma espécie de crocodilo que tinha a capacidade de matar uma vaca com uma abocanhada. Antes, porém havia passado no Cariri Cearense para registrar o comércio de peixes fossilizados e entrevistar um agricultor que havia encontrado nas rochas junto com os peixes fossilizados, o fêmur de um dinossauro. Do Ceará vieram para Sousa, aonde eu vinha descobrindo desde o ano de 1975 dezenas de novas pegadas de dinossauros que eram noticiadas por jornais e revistas de circulação nacional e internacional.
Muito exigente nas gravações o Globo Repórter gravou uma das cenas por mais de dez vezes até a diretora aprovar. A cena era eu sentado no chão limpando uma pedra com uma vassourinha que eu conduzia nas minhas buscas pelos rastros dos dinossauros no sertão da Paraíba.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

BAHIA: Comerciantes lançam cartão de crédito de bairro, o Cajazeiras Card

Bom, meu conterrâneos, eu também corri para ver a novidade, mas... É Cajazeiras da Bahia, não a do Padre Rolim, se bem que o nosso comércio bem que podia imitar!

Um grupo de comerciantes do bairro de Cajazeiras, em Salvador, cansou de ouvir o povo dizer que faltava dinheiro para comprar. E decidiu resolver o problema financiando os clientes. Nasceu dessa forma o primeiro cartão de crédito comunitário: o "Cajazeiras Card".
Com o slogan "É de Cajazeiras, é nosso", o plástico milagroso já foi requisitado por mais de mil pessoas neste bairro que - pelo tamanho e espírito de grandeza de seus moradores - ganhou o apelido de "a segunda maior cidade da Bahia".
A ideia surgiu com a Associação de Micro e Pequenas Empresas de Cajazeiras (Amicro), que tem entre seus associados uma pizzaria, uma bomboniere e uma loja de materiais de construção. Esta última, aliás, já comemora o aumento no volume de vendas desde que o cartão surgiu, há três meses, conta o presidente da Amicro, Sérvio Túlio.
Quem costuma receber uma oferta de crédito diferente a cada semana, por correio, talvez estranhe a ideia, mas o "Cajazeiras Card" se popularizou por não exigir comprovação de renda. Qualquer morador consegue um limite para compras de R$ 250. Numa região empobrecida, valor suficiente para comprar o cimento e tocar uma reforma em casa.

Cajazeiras tem cerca de 600 mil habitantes. Uma população maior que a da cidade baiana de Feira de Santana (556 mil), da mineira Juiz de Fora (516 mil) e quase igual a da paulista Ribeirão Preto (604 mil). Como muitos não têm empregos formais, usar o sistema bancário é difícil. "Algumas donas de casa que pediram o Cajazeiras Card têm mais de 40 anos e nunca tiveram uma conta no banco", conta Túlio.
Com tudo isso, o empresário duvida que a população vá deixar de pagar as contas. A Associação pretende até dar aulas de educação financeira e evitar o superendividamento.
Um dos primeiros detentores do "Cajazeiras Card", o auxiliar administrativo Antonio Jorge Guerreiro, vê a dedicação do povo para manter o orçamento em dia. "Cada pessoa tem o seu controle". Ele conta que já tinha um outro cartão, mas fez questão de adquirir o do bairro. "Esse é um bairro muito carente e que necessita, as pessoas estão motivadas".
Economia de bairro
A forte identificação do cartão com o bairro se transformou no seu maior atrativo. "Nos inspiramos nesses cartões de fidelidade dos shoppings", conta Túlio. A lógica clara é a de que a população passa a optar por gastar nos pequenos empreendimentos em vez de fazer todas as compras num grande supermercado.
O projeto estimula os microempresários a se cadastrarem. Alguns lojistas que não tinham como pagar o aluguel das tradicionais maquininhas de cartão podem adotar o novo sistema e cobrar usando um computador conectado a internet.
Apesar da criatividade do formato escolhido pelos soteropolitanos de Cajazeiras, a ideia de estimular o comércio local como uma forma de desenvolver uma região não é nova. O governo brasileiro já criou moedas próprias em 53 comunidades diferentes com o intuito de centralizar os gastos de moradores no comércio local. A mais recente das chamadas moedas sociais é o CDD, que desde meados de setembro circula na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.
TERRA MAGAZINE

terça-feira, 4 de junho de 2013

A CULTURA POPULAR perde um de seus Representantes Autênticos.

JOÃO DE MANEZIN enquanto viveu, passou graça e alegria aos moradores de uma Cidade do Alto Sertão Paraibano.
Ele próprio era o FOLCLORE. Durante minha infância e adolescência eu ri com as palhaçadas de Mazaroppi, Cantinflas e Jerry Levis nos filmes que papai me levava para assistir no Cine Éden. Mas, eu ria ainda mais com as palhaçadas de João de Manezin.
Mas João de Manezin era um Grande 'Artista Cômico', mas nem ele nem nós Cajazeirenses sabíamos. Hoje eu imagino o Valor desse Grande Artista Popular. Muitas passagens que se eternizaram nos Circos, vieram do poder criativo desse Artista. A História de Cajazeiras deve registrar o valor da Cultura que emana do Povo. Quem estivesse perto dele sempre estava rindo.
Nunca se pintou de Palhaço. Talvez tenha sido um equívoco não termos lembrado a ele. Pois, se o fizesse, seria uma dos Melhores Palhaços do Brasil. Quantas histórias os Cajazeirense carregam na memória (inclusive eu) vividas por este 'Grande Artista Popular Brasileiro'.
Nesta foto (eu devo ser uma dessas crianças embevecidas - lado esquerdo da foto -) percebe-se que ele mobilizou a Cidade inteira, quando se propôs a manter-se (dia e noite sem parar) sobre uma bicicleta circulando em torno da 'Praça Camilo de Holanda' durante muitos dias.
Papai (Zé Cardoso - Torneiro Mecânico dos bons) me contava às gargalhadas que João de Manezin em determinada ocasião inventou de ser a 'Mulher que vira peixe'.
É tradicional também a passagem folclórica: A cidade soube que ele fez um time para ir jogar em Juazeiro do Norte. Só que não tinha nenhum jogador. Então, durante o trajeto de Cajazeiras até (acho que Jatobá (São José de Piranhas)), ele ia recrutando os atletas. Bastava vê um homem andando pela estrada que ele mandava subir no caminhão. Até que foi passando por um vaqueiro. Ele mandou o 'chofer' parar o caminhão, e da boléia convidou o vaqueiro para fazer parte do time. Aí o vaqueiro falou. E o cavalo, o que faço com ele? E João de Manezim respondeu:"Pode subir ele no caminhão". E, pra completar dizem até que o vaqueiro, mesmo em cima do caminhão não desmontou do cavalo.
Em determinado momento de sua vida ele candidatou-se a Vereador da cidade. E adotou o seguinte jargão: "Ruim por ruim, vote em João de Manezin", cuja tirada repetiu-se em várias regiões do País. Estou triste, com a "passagem" de um Grande Artista Popular, cujo 'Enorme Talento para a graça' engrandeceu minha cidade de Cajazeiras.
Este Homem me ensinou que a CULTURA POPULAR é a principal Provedora da IDENTIDADE CULTURAL dos cidadãos. Ele ensinou-me a amar as 'coisas simples' do meu País. Porque, hoje eu sei que a Poesia, a estética, e, a beleza são mais puras quando vem do 'Povo'.

E, JOÃO DE MANEZIN este Grande Artista Popular (que neste momento nos deixa), foi durante sua vida inteira um Artista do Povo. Permitam-me 'bradar' em prantos. Viva a CULTURA POPULAR do Brasil. e (como bradou Darci Ribeiro) Viva o POVO BRASILEIRO !!!!!

                                

JOÃO DE MANEZIM, 55 ANOS DE CARNAVAL.

“Eu sinto falta dos antigos carnavais nos clubes de Cajazeiras". Assim falou João de Manezim, uma das figuras mais alegórica do carnaval de Cajazeiras, que neste ano de 2010, completa 55 anos de participação na festa mais popular do calendário cultural e folclórico brasileiro. Nesse mais de meio século de vida dedicada à folia momesca, João recorda muito bem os antigos concursos de batucadas e sua maior alegria, foi quando viu pela primeira vez, por iniciativa do empresário Raimundo Correa Ferreira, um trio elétrico chagar à Cajazeiras para animar o carnaval de rua da cidade. Fundador da mais antiga escola de samba da cidade e do hilariante bloco "o jaraguá" - que ao som de uma charanga, desfilava nos três dias de festas, conduzindo uma espécie de boneco de chita feito a partir de uma queijada de jumento. Ele lamenta o esquecimento e o pouco apoio dos poderes público ao carnaval tradição da cidade. Autor da marchinha "Ei, olhe pra mim, eu sou o João de Manezim", João, além do carnaval, foi dirigente do mais tradicional clube de futebol do Bairro de Capoeiras - o já instinto São Cristóvão Futebol Clube. Na sua rápida carreira política, João de Manezim chegou a se eleger vereador na década de 80, e como bom religioso que era, organizou juntamente com Suplente de Senador Bosco Braga Barreto, uma romaria de Cajazeiras a cidade de Juazeiro do Norte-Ceará. Ainda nos anos 80, o folclórico João, protagonizou uma façanha que marcou a sua vida e também a da cidade, foi ter passado 12 horas - sem parar, rodando numa bicicleta para marcar a inauguração da reabertura e alargamento da Av. Padre José Tomaz - trecho que começava da Praça Coração de Jesus até o Cine Pax. m
Do blog Cajazeiras de Amor



Tirar os livros da gaveta

É lugar-comum dizer que Padre Rolim foi o primeiro escritor de Cajazeiras. Sim, o foi, mas inicialmente sem livros. Tinha-os escrito, só que por muito tempo não os teve impressos. Estudioso dos bons, deixou para a posteridade livros importantes para o conhecimento do sertão e do Nordeste. O problema é que, num tempo mais árido que este, o padre-mestre publicou suas obras com dificuldade.
Poetas, como o Cristiano Cartaxo, da esquecida lira dos sonetos de A Musa Quase Toda, fizeram o eco de sua poesia em jornais e revistas, tendo que esperar muito até publicar. Demoraram a ver em livro seus versos. Assim aconteceu com Irismar di Lira, Constantino Cartaxo, Linaldo Guedes.
Outros, após a aventura das obras que os revelaram, fizeram-se bissextos. É o caso do então iniciante Paulo Jacob, que publicou um livro e em seguida quedou-se na academia e na escola, perdendo o usufruto da veia poética. Antes dele, os irmãos Oliveira. Outrora os jovens talentos Linaldo e Lenilson imprimiram livros nas antigas tipografias cajazeirenses, anônimos, às vezes, entregando a um e outro a sua obra. Muitos dos livros que deram ao público foram produzidos artesanalmente, rodados que eram nas primeiras impressoras de pontilhado a existir na cidade.
No tempo da maioria desses autores, a tecnologia das oficinas gráficas, se comparada à atual, era quadrada. As máquinas rodavam a lenha. Também não havia os concursos literários, tampouco os incentivos do poder público. O primeiro autor cajazeirense a ter o privilégio de ser publicado com dinheiro público, pelo menos que eu tenho notícias, foi Paulo Jacob. Era aluno do curso de Letras e fui convidado para prefaciar seu livro Balaio de sentidos. Nunca esqueci o convite. Tive ali mais uma chance de exercitar a veia crítica que gosto em literatura. Nesse tempo surgiam os fundos culturais de incentivo à cultura. Era a boa vontade do poder público em dar ao autor popular voz e vez em meio a uma indústria cultural excludente e injusta.
Depois, da mesma forma, outros livros foram publicados em Cajazeiras, inclusive o meu, que foi parte apoiado pelo governo. E agora mesmo, como se vê, está mais fácil publicar. É mais barato, mais possível. O sujeito chega a uma gráfica em Cajazeiras e a gráfica é uma editora. Pode não ter o dinheiro todo, mas levando um bocado, outra parte acerta quando o livro estiver pronto. E se tiver bom produto, pode concorrer aos concursos, aos prêmios, aos incentivos governamentais.
 Isso é bom? Se é! Quem tiver um livrinho de qualidade pode arregaçar as mangas desde já. As oportunidades tornam possível o sonho de quem deseja publicar. Tenho o exemplo da cajazeirense Amanda K., que aparece com seu primeiro livro publicado por uma boa editora, a gráfica das impressões do jornal A União. Ela é ganhadora de um concurso do Governo do Estado, que, além de publicar seu livro, lhe dará bom prêmio em dinheiro. Sobre Amanda e seu livro falarei em breve. Dia 23 a obra será lançada em João Pessoa.
Devem novos valores terem do poder público a mesma atenção. Quiçá será um cabra lá de Cachoeira dos Índios, de São José de Piranhas, de Santa Helena. Seus prefeitos podem contribuir com os autores locais. Incentivar a pesquisa sobre a história da cidade, sobre mil coisas, dar à luz um talento ainda não conhecido. Que tal dar às cidades livros de autores locais? É uma boa ideia. Será mais que preciso nesses tempos em que tão pouco se lê.